12.07.2006
12.06.2006
11.30.2006
Fernando Pessoa

A 30 de Novembro de 1935, morria Fernando Pessoa, o maior poeta português.
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
(...)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."
Fernando Pessoa " A Tabacaria"
11.27.2006
Do amor_2
Palavra de Mulher
Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar
Chico Buarque
Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar
Chico Buarque
sobre o amor_1

Porque foste a minha casa
onde a luz se acendia com o teu sorriso
o som dos teus passos, cheirava a cortinas brancas
agitadas quase impercptivelmente pelo vento e pelo sol
Tinha no teu abraço, uma cama tecida de sonhos e futuro
e do teu peito, abriam-se janelas sobre a cidade
E para sempre no teu nome, serão rua, porta e andar
De um tempo e de um lugar onde a felicidade morou comigo
11.20.2006
11.18.2006
Solidão_2

Hoje senti a partida de alguém que não era meu.
E senti-o de uma forma estranha. Em especial porque o sentimento que nos unia era a pena... o pior dos sentimentos!
Senti a sua partida porque para mim significou, como há pouco me diziam, o «exemplo acabado da solidão». Aquilo que todos tememos, aquilo que todos sentimos.
Sei que a minha atitude até pode parecer um bocado hipócrita. Nunca lhe liguei em vida e, de repente, marco presença no momento da despedida. Mas fi-lo porque realmente senti.
Tive pena, tenho respeito, terei a memória.
Já agora, nunca tive oportunidade de lhe dizer, mas muito obrigado por aquilo que me ensinou... dentro e fora da Academia.
11.17.2006
11.16.2006
Eu te amo_2

Não é segredo para ninguem que esta música representa para mim aquele que eu recordo como o periodo mais feliz da minha vida.
Eu pelo menos com o periodo em que o amor não era uma coisa dolorosa, e a solidão uma possibilidade inexistente.
O periodo em que eu senti, pela unica vez, que era mais do que eu propria. Que a minha realidade era fruto do encontro de duas pessoas. Eu e ele.
Como toda a gente tambem sabe (e por toda a gente entenda-se as duas pessoas que leêm este blog) as coisas não resultaram, em grande parte por culpa da minha extrema necessidade de me provar capaz de ser feliz independentemente de qualquer outra pessoa. Ou seja.... fruto da minha jovem idade, e da arrogância naturalmente a ela associada.
Mas percebo hoje que mais importante que ser feliz, é ter a percepção que se é ou se pode ser feliz. E eu sou feliz hoje, nem que seja com o facto de saber reconhecê-la.
E no fim disto tudo, o chico continua, e esta música, que me leva a tempos em que era mais dificil ser eu. Mas igualmente divertido.
Eu te amo
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Chico Buarque
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Chico Buarque
11.15.2006
11.12.2006
Origens_1
Uma das coisas que sempre me chateou foi não ter «terra». Nos fins-de-semana, nos feriados, nas férias grandes (ou pequenas) todos os meus amigos iam para a terra, menos eu. Agora, como o tempo escasseia a todos, a questão já não é tanto ir à terra, mas ter memórias, lembranças desse local simbólico... a «terra».
A minha família, para aí há 4 gerações, é da zona de Lisboa. Logo, quando me perguntam de onde és respondo: «De Lisboa!». Não contentes voltam a perguntar: «Não é isso, de onde és? Qual é a tua terra?» ... Sem grande imaginação, volto a responder «De Lisboa!»
É porque a minha mãe e os meus avós nasceram mesmo em Lisboa. O meu pai, esse foi nascer ao Zaire por engano, mas nem isso me dá direito a ter uma «terra».
Conclusão: sinto-me socialmente pressionada a adoptar uma «terra». Daquelas que tenham montes e vales, água cristalina e planicies verdejantes, animais de todos os géneros e feitios e, principalmente, onde façam aquelas coisas boas para comer que só podemos trazer da «terra»... aliás, foi esse o início da conversa!
A minha família, para aí há 4 gerações, é da zona de Lisboa. Logo, quando me perguntam de onde és respondo: «De Lisboa!». Não contentes voltam a perguntar: «Não é isso, de onde és? Qual é a tua terra?» ... Sem grande imaginação, volto a responder «De Lisboa!»
É porque a minha mãe e os meus avós nasceram mesmo em Lisboa. O meu pai, esse foi nascer ao Zaire por engano, mas nem isso me dá direito a ter uma «terra».
Conclusão: sinto-me socialmente pressionada a adoptar uma «terra». Daquelas que tenham montes e vales, água cristalina e planicies verdejantes, animais de todos os géneros e feitios e, principalmente, onde façam aquelas coisas boas para comer que só podemos trazer da «terra»... aliás, foi esse o início da conversa!
11.09.2006
Parabéns_1
Parabéns porque és lindaParabéns porque és forte
Parabéns porque és sincera
Parabéns porque tens defeitos, mas muito mais virtudes
Parabéns porque brilhas
Parabéns porque ris... e a tua gargalhada é única
Parabéns porque choras... e sentes
Parabéns porque és uma das grandes mulheres que conheço
Parabéns porque queres ser feliz
Parabéns Mavic !
11.08.2006
Saudades_1

Será que sabes que tenho saudades tuas?
Hoje vi alguém caminhar na noite, sozinho, e lembrei-me de ti...
Lembrei-me do quanto gostavas de mim, lembrei-me do quanto gosto de ti. Senti por não te ter comigo.
Gostavas de mim como de mais ninguém. Eras só meu! Eras e continuas a ser, porque como te escrevi: Eu também gosto muito de ti... para sempre!
11.06.2006
Verão Azul
Porque algumas das minhas melhores memórias de infância lembram a casa da minha avó e os dias de calor infernal de Verões cheios de aventuras. O Verão Azul faz parte dessas memórias.
11.05.2006
O momento de dar a volta!

Existem momentos na vida em que paramos para pensar. Na maioria das vezes não é um exercício fácil e para mim chega a ser doloroso.
Devo dizer que estou um bocado cansada dos meus próprios dilemas. Eu que sempre fui contra a teoria da vitimização - do «ai coitadinha, mas que vida tão triste que tenho...» - dou por mim a pensar, a escrever e a dizer, de uma forma reiterada, coisas tristes, solitárias e depressivas.
Mas que raio! Vidas tristes todos temos, vivemo-lo é com intensidades diferentes. Ou, se calhar, prestamos mais ou menos atenção àquilo que nos deixa tristes.
Tenho passado os últimos dias enredada neste novelo de dilemas e pseudo-tristezas, o que me torna uma péssima companhia para os outros... Onde é que já ouvi esta conversa?
«Ah não quero sair porque estou triste...»
«Não, hoje não vou ter convosco porque não me apetece estar com ninguém...»
«Não, hoje não posso, até porque não seria boa companhia»
Admito, voltei ao mesmo!
E voltei numa série de situações. A relação tempestuosa com a comida voltou, o isolamento compulsivo voltou, os problemas de auto-estima e auto-confiança voltaram... A dificuldade em lidar com os sentimentos é que não voltou, porque essa nunca saiu de cá!
Não eu não sou de voltar atrás!
Não posso deixar que isso me aconteça. Além do mais - e citando o anúncio do leitinho pela manhã - se eu não cuidar demim, quem cuidará?
Estou verdadeiramente farta desta conduta. E acho que tomei A decisão... Com tudo o que isso implica...
11.03.2006
Da condição humana

"O grande mistério não é termos sido lançados aqui ao acaso, entre a profusão da matéria e das estrelas: é que, da nossa própria prisão, de dentro de nós mesmos, conseguimos extrair imagens suficientemente poderosas para negar a nossa insignificância."
André Malraux, in A Condição Humana, 1933.
o peso da nossa insignificância mede-se mais pela forma como projectamos sobre nós a opinião dos outros do que pela nossa opinião de nós próprios.
Existe em cada um de nós uma necessidade de reconhecimento. Funciona como uma força motriz de nos permite sentir parte de algo, ou que alimenta a nossa intrinseca necessidade de individualidade. O nosso caracter unico.
A perseguição continua de amor não é mais que uma garantia que seremos perpectuados no sentimento e na recordação dos que perduram após nós. Nascemos, na maior parte dos casos com uma garantia de grupo e de pertença, e é sobretudo o medo de ficar sozinhos que nos empurra para perseguição continua de afectos.
O ser humano está condenado a alternar entre a necessidade da sua individualidade e o medo da solidão.
Porque, como poucos, sabe cantar as dores do coração e da alma

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Atrás da Porta
10.31.2006
BASTA
Como já seria de esperar, começou o chorrilho de disparates. Discussões da treta entre liberalização/despenalização, direito à vida, quando começa a vida, pessoas que afirmam não defender uma posição mas que advogam que a lei não deve ser alterada. Enfim... parvoíces para todos os gostos. Do formato do programa e da apresentadora nem vale a pena falar. É quando vejos estes programas que sinto vontade de emigrar para... bom não sei bem para onde...
Só espero que, desta vez e de uma vez por todas, as pessoas se deixem de falsos moralismos, hipocrisias decadentes, que criminalizam a diginidade de cada mulher que faz um aborto e, por isso mesmo, todas nós.
Só espero que, desta vez e de uma vez por todas, as pessoas se deixem de falsos moralismos, hipocrisias decadentes, que criminalizam a diginidade de cada mulher que faz um aborto e, por isso mesmo, todas nós.
10.29.2006
10.28.2006
10.27.2006
Chocolate_1

Acabei de abrir uma caixa de chocolates...
Estou na sala, sentada no sofá, a ver na tv uma telenovela rídicula e a pensar: finalmente estou a gozar uns momentos de descanso. É incrivel ser assim que gozo os meus preciosos minutos de lazer.
Tenho trabalhado como um «cão», a bem ainda não sei bem de quê e sei lá porquê.
Não tenho horários, não vejo os meus amigos, a minha familia (daqui a pouco o meu sobrinho vai para a tropa e eu nem percebi que largou as fraldas)... passo o meu tempo a dormir (pouco) e a trabalhar! Quando tenho uns momentos vejo tv e como chocolates! E o pior é que estou sozinha...
Que vida tão triste!
10.26.2006
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















